Olá a todos… Já há algum tempo tenho vontade de escrever sobre um dos pioneiros autores do gênero fantástico no século XX. Alguns anos antes de Tolkien escrever seu Senhor dos Anéis e criar uma Tera Média com Elfos, anões e hobbits, muito antes de Rowling escrever as estórias do bruxo mirim mais famoso e rendável da atualidade, um caipira do Texas criou um mundo incrÃvel, repleto de magia, demônios, guerreiros impiedosos e mulheres sedutoras, que muitas vezes eram também hábeis espadachins.
Tudo isso só para servir de pano de fundo para as incrpiveis aventuras de um bárbaro sanguinário, um hábil guerreiro que saiu de sua aldeia no Norte gelado do mundo conhecido para se aventurar pela civilazação do Sul.
Este autor é Robert E. Howard e sua criação mais famosa, o tal bárbaro, é Conan.
Antes de continuar, deixa eu explicar uma coisa importante aqui. Não pretendo em momento nenhum fazer uma comparação entre os contos de Howard e a saga do anel de Tolkien. Eu sei bem que a obra de Tolkien é inclusive objeto de estudo de certos crÃticos literários pelo mundo. O próprio Tolkien era um intelectual, um estudioso de lÃnguas medievais, e seu conhecimento literário e sobre história medieval, mitologia, etc, com certeza era muito maior, muito maior mesmo que o de Howard e também de Rowling. Nunca, nem mesmo o maior fã de Conan, poderia dizer que a obra de Howard é superior ou mesmo se iguala a de Tolkien. Claro que não.
Porém, algo deve ser dito. A intenção de Howard nunca foi criar uma obra prima da literatura. As primeiras estórias de Conan foram publicadas nas chamadas Pulp fictions. Livros impressoas em papel barato que traziam estórias de terror e policiais. Nada a ver com uma obra de um professor titular de Oxford, caso de Tolkien.
Mas e se pensarmos somente em diversão. Em emoão barata, em ação, em aventura? Talvez alguém aqui já tenha ouvido falar de uma banda chamada Dream Theater. Formada por músicos americanos, todos com formação clássica em música, são instrumentistas virtuosos, com músicas imensas de até 20 minutos. Uau. Parabéns. Mas uma outra banda chamada Ramones que fazia músicas de no máximo 3 minutos, tocavam apenas duas notas, tinham um vocalista feio e meio rouco marcou muito mais a música, emocionaram muito mais pessoas e serão eternos nos corações de fãs… Conhecimento e técnica não são tudo. Emoção, vontade, sangue, suor e lágrimas… Podem marcar mais as pessoas do que técnica estéril. Se tivesse que escolher entre apenas uma banda para ouvir o resto da vida e as opções fossem Ramones e Dream Theater. Bom, dane-se a técnica, os Ramones seriam minha escolha, e tenho certeza a escolha da maioria das pessoas. Eles não têm técnica, mas têm coração.
A Era Hiboriana de Conan.
Coração é o que não falta nas estóriasde Conan. Ele vive na Era Hiboriana, um perÃodo que teria ocorrido há 12.000 anos atrás no nosso planeta. Conan, não é nem de longe um herói tradicional, como Superman ou Batman, Homem - Aranha. Na verdade, há apenas dois hérois da Marvel que me lembram vagamente Conan. Wolverine e Justiceiro. Aliás há até uma estória do tipo, “o que aconteceria se”, em que Wolverine e Conan se encontram.
Conan, como é dito em várias estórias, foi ladrão, saqueador, lÃder de exércitos mercenários. Vendia caro sua espada. Na casa dos 40 anos se tornou rei da poderosa Aquilônia.
Ao contrário do que nos acostumamos a ver no cinema, na literatura ou HQs, não haviam de fato heróis ou vilões na Era Hiboriana. Era um perÃodo sangrento, em que os mais fortes sobreviveriam. Isso não quer dizer que Conan não tivesse um senso de honra e ética muito próprios. Por exemplo, certa vez ndeixou de matar um bucaneiro que havia assassinado toda sua tripulação de maneira covarde porque descobriu que ele tinha esposa e filha. Não contente, ajudou o bucaneiro, a quem desprezava, a escapar de uma ilha infestada por selvagens.
Na década de 1970, Roy Thomas convenceu a Marvel a adaptar as estórias de Howard para HQs. O resultado, não consigo imaginar melhor. No Brasil, o personagem fez muito sucesso na década de 1980, principalmente em publicações em Preto e Branco.
Se você nunca leu, experimente. No mÃnimo, você vai se divertir muito, e perceber que antes do genial Tolkien escrever sua saga dos anéis, “autores menores” já exploravam mundos fantástico, sem receberem o merecido crédito por isso. Além de Howard, o autor H.P. Lovecraf, seu amigo, também escreveu estórias do gênero.
Nos melhores momentos, Conan vai além. Pode realemnete nos emocionar e noa fazer pensar um pouco. Como em um dos meus momentos favoritos, na revista A Espada Selvagem de Conan, númeto 33. Conan está no deserto, em uma missão para recuperar a própria alma. Um pequeno grupo de viajentes chega, pai, uma filha e um filho. Antes de partir, o velho divide seu alimento com Conan e parte. Demonstra um senso incrÃvel de humanidade para com um homem estranho, que não é nem mesmo do seu povo. Conan, que nos últimos dias havia conhecido traição e perversidade de todos os tipos pensa… “Como as pessoas podem ser boas e gentis… E como poucas agem dessa maneira.” Por trás de todo sangue e lutas, há algumas pérolas da natureza humana nas estórias de Conan.
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